Áreas verdes são sinônimo de mais saúde

Vive mais e com mais saúde quem mora perto de áreas verdes. Pesquisa financiada pelo Departamento de Saúde Pública dos Estados Unidos mostrou que a incidência de doenças crônicas diminui e que a expectativa de vida aumenta entre a população de bairros mais verdes em comparação a aqueles mais “cinzas”.

Parceria entre o Departamento de Parques e Recreação de Miami e os cursos de Medicina e Arquitetura da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, a pesquisa levou em conta moradores do condado de Miami-County com mais de 65 anos. O grupo cruzou dados do Medicare (sistema de assistência médica implantado pelo presidente Barack Obama) com o NVDI, índice que mede o quão verde é um bairro com base em imagens de satélite.

Nos bairros mais verdes, a incidência de diabetes foi menor em 14% e a de hipertensão, em 13%. Os casos de hiperlipidemia (excesso de gorduras, como colesterol, no sangue) caíram 10%. O número total de pessoas que apresentaram algum tipo de condição crônica foi 4,9% menor, nestas regiões. Na prática, segundo os pesquisadores, são três anos a mais de vida.

O impacto foi maior para a população de menor renda. Morar perto ou longe da vegetação fez mais diferença para os 25% mais pobres (ganhos de até US$ 31,6 mil ao ano). São pessoas que vivem em comunidades onde há prevalência de mulheres, idosos e “minorias raciais” (negros e hispânicos). E que costumam ter mais doenças crônicas do que as classes média e alta, segundo dados do estudo.

Segundo a engenheira agrônoma Tiana Moreira, especialista em gestão ambiental urbana, com mais vegetação diminui a poluição do ar, a pessoa tem menos chances de ter problemas cardíacos. Além disso, morar perto de parques aumenta a prática de atividade física, o que melhora a saúde, a presença de árvores diminui a temperatura das cidades e o stress, por tornar o ambiente mais agradável de ser observado.

A vegetação impacta até a subjetividade, segundo a professora Teresinha Maria Gonçalves, que coordena um laboratório de psicologia ambiental na Unesc, em Santa Catarina. “A natureza estimula as dimensões simbólica e estética. Alimenta a alma, as pessoas ficam mais felizes, produzem hormônios [de felicidade], oxigena o cérebro. Tudo melhora, corpo e alma”.

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